Tragédia em Brumadinho completa 2 meses com 93 vítimas desaparecidas

De acordo com último balanço da Defesa Civil, 212 mortes já foram confirmadas.

Por G1 25/03/2019 - 08:47 hs
Foto: Reprodução/JN

A maior operação de resgate da história de Minas Gerais chega ao 60º dia nesta segunda-feira (25). Há dois meses, a Barragem do Feijão, da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, se rompeu.

O “mar de lama” matou centenas de pessoas, destruiu plantações e contaminou o Rio Paraopeba, um dos afluentes do Rio São Francisco.

De acordo com último balanço da Defesa Civil, 212 mortes foram confirmadas e 93 pessoas ainda estão desaparecidas. Não há prazo para o fim das buscas.

Cães ajudam nas buscas em Brumadinho — Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação

Nesta segunda-feira (25), 129 bombeiros continuam trabalhando em 23 frentes na área soterrada pela lama de rejeitos. Cães farejadores e helicópteros ajudam nas buscas.

A Barragem do Feijão tinha um volume de 12,7 milhões de m³ de rejeitos de minério de ferro. Ela estava entre as dez estruturas que seriam descomissionadas pela mineradora.

Entenda o processo de descomissionamento de barragens — Foto: Alexandre Mauro/G1

CPI

 

Nesta segunda-feira (25), começa a fase de interrogatórios na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem da Brumadinho, realizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Os deputados vão ouvir representantes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e das polícias Militar, Civil e Federal. O objetivo é saber detalhes sobre a coleta de informações e investigações.

A CPI pretende apurar as causas do rompimento da barragem, reunir provas e acompanhar a reparação de danos.

 

Investigações

Envolvidos em desastre da Vale se apresentam em delegacia — Foto: Reprodução/TV Globo

Treze pessoas são investigadas por envolvimento no desastre da Vale em Brumadinho. Entre eles estão onze funcionários da mineradora e dois consultores da empresa alemã TUV Sud. Todos foram presos por duas vezes, mas agora respondem pelo processo em liberdade.

De acordo com o Ministério Público (MP), as prisões foram pedidas à Justiça porque, segundo a promotoria, eles "tinham pleno conhecimento da situação de estabilidade da barragem".

 

Saiba quem são os 13 envolvidos

 

1.Alexandre de Paula Campanha - Gerente-executivo da geotecnia corporativa da Vale

2.André Jum Yassuda - engenheiro da TUV SUD

3.Artur Bastos Ribeiro - Gerência de geotecnia

4.Cristina Heloiza da Silva Malheiros - Gerência de geotecnia

5.Felipe Figueiredo Rocha - Setor de gestão de riscos geotécnicos

6.Cesar Augusto Paulino Grandchamp - geólogo da Vale

7.Makoto Namba - engenheiro da TUV SUD

8.Hélio Márcio Lopes de Cerqueira - Setor de gestão de riscos geotécnicos

9.Joaquim Pedro de Toledo - Gerente-executivo da geotecnia operacional da Vale

10.Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo - Setor de gestão de riscos geométricos

11.Renzo Albieri Guimarães Carvalho - Gerência de geotecnia

12.Ricardo de Oliveira - gerente de Meio Ambiente Corredor Sudeste da Vale

13.Rodrigo Artur Gomes Melo - gerente executivo do Complexo Paraopeba da Vale

A mina do Feijão na região de Córrego do Feijão, em Brumadinho, dois dias depois do rompimento da barragem da Vale. — Foto: Douglas Magno/AFP

Reparação

 

Um acordo preliminar foi fechado no dia sete de março entre a Vale e o Ministério Público para que um auxílio emergencial seja pago a todos os moradores de Brumadinho e os atingidos que moram nas margens do Rio Paraopeba até a represa de Retiro Baixo, em Pompéu, na Região Central de Minas Gerais.

O valor é de um salário mínimo por adulto, meio salário por adolescente e um quarto do salário mínimo por criança. Ele será pago durante um ano, segundo o acordo.

O auxílio emergencial já começou a ser pago a moradores de Córrego do Feijão e Parque da Cachoeira. Moradores cobram agilidade e transparência por parte da mineradora.

Audiências ainda estão sendo realizadas para definir outros pontos de reparação dos danos. Na última delas, realizada no dia 23 de março, o promotor de Justiça André Sperling disse que a Vale cria obstáculos para os pagamentos.

“Eu acredito que eles deram conta de fazer o desastre e de ceifar a vida de mais de 300 pessoas. Agora eles têm que dar conta da reparação”, disse o promotor

 

Os representantes da Vale não falaram com a imprensa após a audiência. A assessoria de imprensa da mineradora foi procurada, mas não se pronunciou.

Por G1 Minas — Belo Horizonte