Professor de matemática acusado de assediar e abusar de alunas por mais de 20 anos é condenado a 40 anos de prisão em MS

Professor era de escola estadual de Nioaque, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, e entre as vítimas que o denunciaram estão meninas de 11 a 17 anos de idade.

Por G1 MS 11/06/2019 - 07:09 hs
Foto: Ilustrativa / Autor Desconhecido

Um professor de Matemática do município de Nioaque, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, foi condenado a 40 anos de prisão, em regime fechado, por uma série de crimes sexuais praticados contra seus alunos, principalmente meninas de 11 a 17 anos de idade, durante as aulas ou em razão delas na escola estadual Odete Ignês Resstel Villas Boas.

A sentença da juiz Larissa Luiz Ribeiro, da comarca de Nioaque, é de quinta-feira passada (6) e condena o acusado pelos crimes de: corrupção de menores, assédio sexual, estupro de vulnerável, importunação as vítimas em lugar público de modo ofensivo ao puder, além de constranger as adolescentes para obter favorecimento sexual, se prevalendo da condição superior hierárquico na escola.

Ainda conforme a sentença, a magistrada determinou o pagamento de uma indenização por danos morais no valor de R$ 5 mil a cada vítima, bem como a perda do cargo público. O inquérito civil para apurar as denúncias contra o professor foi aberto em 2017 após os pais das vítimas procurarem a polícia, mas na denúncia o Ministério Público Estadual apontam que os abusos e assédios estariam sendo praticados pelo professor na escola há mais de 20 anos.

O MP, inclusive, propôs uma ação civil pública de improbidade administrativa para promover a responsabilização da direção da escola por não comunicar ao Conselho Tutelar, a polícia ou o próprio Ministério Público das denúncias que vinham sendo apresentadas desde 1995 no colégio por alunas e pais contra o professor.

Na denúncia que levou a condenação, o professor é acusado por 14 adolescentes, com idades na época dos fatos, entre 11 e 17 anos. Entre as vítimas 13 meninas e um menino, de 15 anos.

Segundo o MP, durante as investigações ficou documentado que o professor constrangia e abusava sexualmente das alunas por meio de investidas sexuais e até concedia notas indevidamente a elas em suas provas e atividades para "angariar correspondência sexual", além de outras condutas mais graves.

Conforme o Ministério Público, uma das vítimas narrou que o acusado passou a mão nela quando estava voltando do intervalo do lanche e sua colega de escola comprovou tal situação. Conta que o professor começou a falar com a vítima, como se tivesse alguma coisa com ele e sempre querendo que a aluna fosse na casa dele tomar tereré.

Afirma a menor que ele beijava-a, apertava-a e abraçava de modo muito diferente do normal e que um desses abraços sentiu a mão dele abaixando em seu corpo até pegar em sua nádega.

Outra vítima, atualmente com 12 anos de idade, disse que os fatos ocorreram a partir do 3° bimestre, depois das férias quinzenais. Narrou que ele começou com umas brincadeiras sem graça e perguntava se o tinha traído nos fins de semana.

Contou que teve um dia em que estavam fazendo trabalho escolar no pátio da escola e, ao tentar tirar uma dúvida com ele, este tentou beijá-la. “Ele chegou perto de mim e eu virei o rosto e saí”, disse a aluna. A menina afirmou também que o acusado tinha a mania de puxar as meninas pela cintura para chegar mais perto. Contou que normalmente o professor fazia isso dentro da sala, onde estava a turma inteira presenciando os fatos.

De acordo com o MP, os crimes do professor foram comprovados por meio de depoimentos das vítimas e testemunhas e ainda pelos relatórios técnicos. O professor negou os crimes e pediu a absolvição no julgamento, mas para a juíza, os documentos juntados nos autos do processo, bem como os relatos comprovaram os abusos.

O G1 entrou em contato com a secretaria estadual de Educação para saber da situação do professor e da direção da escola, mas até o fechamento da matéria não obteve retorno.

Por Anderson Viegas, G1 MS