Normani vira aposta do pop para ir além do rótulo de 'nova Beyoncé'

Ao G1, cantora fala da paixão por competições, da inspiração nos anos 2000 e da parceria com Ariana Grande, da música às 'festas de pijama'.

Por G1 Pop & Arte 21/10/2019 - 07:13 hs
Foto: Divulgação

Você pode conhecer a Normani do grupo Fifth Harmony ou das parcerias com Sam Smith ou Calvin Harris.

Mas ela quer que você a conheça pela carreira solo, mesmo que seja a partir da alcunha "a nova Beyoncé".

O vocal, as coreografias e até o andar um tanto hipnotizante motivaram a comparação. Mas, aos 23 anos, Normani quer ir além.

Em entrevista por telefone ao G1, a cantora americana fala de sua paixão por competições que vem desde a infância.

Ela também comenta as referências que busca na cultura pop dos anos 2000 e a parceria com Ariana Grande: em músicas, turnês e "festas do pijama".

G1 - Sei que é uma coisa normal no mundo da música... Sempre se fala na procura por uma nova Rihanna, nova Madonna, nova Britney. Falam que você é uma nova Beyoncé. Você acha que isso rola mais com cantoras do que com cantores?

Normani - Sim, com certeza. Eu acho que é uma coisa que faz parte da indústria do entretenimento, não apenas música. Isso acontece no geral, com atrizes, por exemplo. Sempre tem alguém colocando uma mulher contra a outra, ou as comparando, sabe? Isso é uma coisa muito, muito comum. Sei que às vezes é dito como se fosse um elogio... Mas tenho muito trabalho a fazer ainda, a Beyoncé trabalhou tanto e tem uma carreira inteira. Mas claro que entendo que é um elogio, mas estou mais interessada em entender melhor quem eu sou e criar minhas músicas. Explorar as possibilidades.

G1 - Como foi a ideia de usar as referências dos anos 2000 no vídeo de 'Motivation'?

Normani - Ah, eu amo aquela década, é a minha era. Eu tenho tantas lembranças da música, da moda, de toda a cultura desse período do começo dos anos 2000. Queria, de algum jeito, transformar tudo aquilo no tema para um clipe.

G1 - A coreografia é uma parte muito importante da sua carreira. Como é o trabalho com o Sean Bankhead?

Normani - Meu coreógrafo é incrível, ele está comigo praticamente em toda a minha carreira. Ele sabe qual movimento tem mais a ver comigo, mas também me desafia, testa a minha capacidade. Eu confio nele e ele confia em mim. A gente sempre tenta fazer coisas novas. Fico empolgada com cada próxima coreografia.

G1 - Quando vocês estão criando uma nova coreografia, tem algum limite? Ele já propôs alguma coisa que você tenha dito que era perigoso demais ou complicado demais?

Normani - Ah, eu acho que eu sou definitivamente daquelas pessoas que gostam de correr riscos. Eu também tenho experiência em ginástica competitiva e dança profissional. Então, tenho muitos movimentos que eu estou apta a fazer desde que sou bem novinha.

Sei que tenho 23 anos e tem esse tempo entre minha fase atual e a época em que eu competia, mas eu ainda continuo tentando repetir aquelas coreografias que eu fazia. É, dá para dizer que eu corro alguns riscos, sim... Mas é legal tentar ficar provando pra mim mesma que eu ainda dou conta. Meu corpo ainda consegue fazer a maioria das coisas que fazia há uns cinco ou seis anos. O Shaun tem liberdade para criar as coisas mais loucas do mundo.

Normani se apresenta no VMA 2019 — Foto: Matt Sayles/Invision/AP

G1 - Falando de competições: você tem competido muito desde criança, em torneios de ginástica e dança. Também participou do "Dancing with the stars" e no "The X Factor". Por que você compete tanto?

Normani - Ahmmm... Ah, eu acho que é uma coisa que eu amo, sabe? Não é necessariamente por ser uma competição. No fim, não é uma competição contra os outros, é mais comigo mesma. Esse é o jeito certo de lidar com isso. Pra mim, estar em competições sendo tão nova, eu acho que me deu um senso de pertencer a um time, sabe?

Eu era parte de um time de dança. Tinha as competições de dança todo fim de semana... Aquilo foi a minha escola, porque eu fui educada em casa. Eram essas competições que me permitiam estar em um espaço onde eu me sentia aceita e em uma família, sabe? Eu aprendi a lidar com as outras pessoas e isso me levou a ficar tranquila estando em um girl group.

G1 - Você já escreveu músicas com a Ariana Grande e abriu shows dela. Como é trabalhar com a Ariana?

Normani - Estar com a Ari é incrível. A gente saiu em turnê juntas e era super divertido. Ela é também uma das autoras de "Motivation". E nas horas mais importantes desse projeto ela virava pra mim e dizia "Eu quero ver o vídeo!". Ela se envolveu muito e sempre estava empolgada. Ela é uma pessoa que sempre vai dar uma força.

Até nas horas que eu quero descansar e esquecer de tudo... Fazia tempo que eu não tinha uma "festa do pijama", e a última vez que fiz isso foi com ela, em um ônibus da turnê. A gente acordou juntas, tomou um café... Como se a gente fosse duas garotas normais, usamos uma máscara facial... Ah, foi fofo demais. Coisas assim que ela faz pra mim significam muito mesmo.

G1 - Obrigado por ter sido tão simpática. Espero vê-la em breve cantando no Brasil...

Normani - Eu que agradeço. Beijos. 'Eu te amo' [em português].

Fifth Harmony: com Camila Cabello, Dinah Jane, Lauren Jauregui, Normani e Ally Brooke — Foto: Divulgação

Por Braulio Lorentz, G1