Jornalista executado na fronteira era ameaçado e não esperava uma morte tão violenta: 'Que não seja com tantos disparos de fuzil'

Léo Veras ainda foi socorrido, mas não resistiu aos 12 tiros que recebeu de pistoleiros. Entidades se manifestam sobre morte do jornalista.

Por G1 MS 14/02/2020 - 07:16 hs
Foto: Facebook/Reprodução

O jornalista Léo Veras, executado em casa com 12 tiros na noite desta quarta-feira (12) em Pedro Juan Caballero, cidade do Paraguai na fronteira com o Brasil, em Mato Grosso do Sul, já sabia que podia ser vítima de criminosos, mas esperava que a morte não fosse tão violenta.

A declaração foi dada em 2017, durante um documentário de lançamento do programa Tim Lopes, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Em dos trechos do vídeo Léo disse:

"Que não seja com tantos disparos de fuzil, porque aqui se o pistoleiro quer ter matar ele vem na sua porta, manda você abrir e vai te dar o disparo, espero que seja só de um disparo para não estragar tanto a pele".

O presidente da associação, Marcelo Träsel, afirmou que o crime é motivo preocupação e será acompanhado.

"Estamos coletando as informações sobre o Léo, a morte de um comunicador é sempre motivo de preocupação e vamos cobrar das autoridades para que isso não fique impune", comentou.

O promotor paraguaio Marco Amarilla, que trabalha nas investigações sobre a execução disse que o profissional 'já sabia que iriam matá-lo'.

"Ele recebeu ameaças nesses últimos dias. Ele estava nervoso, estava inquieto, estava temeroso. Em uma conversa que manteve com sua esposa, ele se despediu, praticamente. Ele disse: “Amor, se cuida, cuida das crianças”. Praticamente se despede de sua família. Ou seja, já sabia que iriam matá-lo", afirmou o promotor.

A Execução

Léo Veras é paraguaio e tem nacionalidade brasileira. Ele tinha um site de notícias em Ponta Porã, cidade que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai. O jornalista foi executado por pistoleiros na noite desta quarta-feira (12) na cidade paraguaia de Pedro Juan.

Léo Veras é bastante conhecido em Mato Grosso do Sul por seu trabalho. O site dele produzia notícias policiais da região da fronteira em português e espanhol. Frequentemente ele noticiava situações relacionadas ao tráfico de drogas.

De acordo com a Polícia Nacional do Paraguai, Léo foi atingido por cerca de 12 tiros de pistola 9 milímetros. Um dos disparos acertou a cabeça dele no momento em que ele tentou correr dos assassinos. O jornalista chegou a ser socorrido e encaminhado para um hospital particular da cidade paraguaia, mas não resistiu.

Segundo a ocorrência, Léo estava jantando com a família no quintal de sua casa. Por volta das 21 horas, dois pistoleiros encapuzados chegaram em uma caminhonete branca, entraram pelo portão que estava aberto e invadiram o local. Eles direcionaram os disparos contra o jornalista e foram atrás dele quando Veras tentou correr para a rua.

O promotor paraguaio responsável pelo caso, Marco Amarilla, informou ao G1 que apurou que o jornalista vinha sofrendo ameaças. Nos últimos dias, segundo o promotor, Léo Veras estava com medo.

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